Sergio Neumann
No toque forte do tambor
É nagô, é Nagô
Eu solto a minha voz
e corro por vales e rios
em meio a florestas e bosques
enfrento todos os desafios
e chego afoito em Palmares
Oh! Zumbi me receba!
"Estou a fugir de senhores
que me cobram pesados serviços"
Que saudades de minha terra! Ilê
Que mal fiz a eles, oh! Pai?
Porque insistem em bater?
Sou negro e é essa a razão?
De tanta perseguição?
Vim para cá contra minha vontade.
Era livre e me aprisionaram.
Não pedi que nada me dessem!
mas agora quero a liberdade!
Oh terra! Mãe África atende!
Meu clamor hoje há de ecoar.
Vem ver o seu filho sofrendo
Meu coração como a um tambor a rufar!
Minha voz hoje a lamentar.
Há uns que gritam em nossa defesa.
Uns que dizem sermos todos um.
Mais alguns com chicotes a mão
e outros com dó no coração.
Meu Deus tenha piedade dos monstros
que teimam em nos açoitar.
Que eles vejam a beleza da vida
e parem de nos maltratar.
Sou negro de cabeça erguida
e vivo minha vida a cantar.
Sou livre e de mente aberta,
sigo em frente este caminho sofrido.
Mas lembro de meus amigos
a quem eu dedico um carinho
sem eles eu estaria só
e mais triste com certeza seria.
Mas eles não me abandonam!
Me fazem boa companhia.
Ouço o toque, o rufar do tambor!
É batuque dos bons sim "sinhô!"
Vou lá pra ouvir e dançar
e te deixo aqui o meu amor,
meu poema com frases tão simples,
mas cheias de um bom sabor.
É algo que não se vê,
mas podem sentir se quiser.
Uns chamam de liberdade
outros apenas de vida!